quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O JARDIM


Por Luiz Carlos Sturm

Em um lindo vale, cercado por altas e verdes montanhas, dois jardineiros resolveram plantar um jardim. O dono da terra, entusiasmado com a feliz idéia, providenciou todos os recursos para que os jardineiros tivessem êxito em sua empreitada. Até mesmo uma equipe de especialistas foi trazida de terras estrangeiras para que o jardim fosse muito bem planejado e plantado. Entusiasmados, muitos voluntários vieram ajudar, num alegre mutirão.

Em pouco tempo o jardim estava plantado e era motivo de muita alegria. Era gostoso passear entre as suas árvores floridas onde os pássaros encontravam seu alimento nas épocas de frutificação. As pessoas da cidade descansavam à sombra de suas frondosas árvores. As crianças brincavam ruidosamente junto as suas fontes. Era reconfortante sentar nos bancos providencialmente colocados para descanso dos caminhantes. Os canteiros plantados com múltiplas flores alegravam e animavam as pessoas tristes. Havia também um espaço para plantas medicinais onde as mães encontravam todo tipo de chás para a cura dos males de suas famílias. Tudo era motivo de muita satisfação para os jardineiros, especialmente quando percebiam a aprovação do dono da terra que os incentivava a ampliar e aperfeiçoar o jardim.

Certo dia, um dos jardineiros percebeu que uma das primeiras árvores que haviam sido plantadas estava com algum problema. A árvore tinha um aspecto que ele nunca antes havia notado. As suas folhas já não tinham aquele brilho de outrora, as flores eram raras e, com dolorosa surpresa, percebeu que as suas folhas, agora ralas, revelavam alguns espinhos que nunca antes notara. Com horror, viu que, ao manusear a árvore, suas mãos tinham sido feridas, ensangüentadas. A árvore, que outrora harmonizava o ambiente agora parecia destoante e perigosa. Algo tinha que ser feito.

Com ajuda do proprietário da terra, todos tipos de cuidados foram providenciados para que a árvore fosse restaurada. Era tal a dificuldade, que logo se viu que o processo seria longo e dificultoso. Os espinhos que antes ninguém notava, agora pareciam terríveis e ameaçadores. As feridas nas mãos do jardineiro, causadas pelos espinhos, ainda não tinham curado e, infeccionadas, causavam muitas dores ao jardineiro ferido. Era preciso deliberar sobre as alternativas.

Um dos jardineiros estava disposto a trabalhar na lenta, e certamente árdua, recuperação da árvore. A árvore sempre fora cuidada por ele e por isso a tinha por especial carinho. Além disso, a árvore era lugar de abrigo para muitos pássaros que aí faziam seus ninhos. O outro jardineiro, embora outrora também tivesse se alegrado com a árvore, tinha agora uma dolorosa razão em seus dedos feridos, para optar por simplesmente derrubar a árvore, eliminando a terrível ameaça. Os jardineiros, até então unidos nas múltiplas tarefas do cuidado do jardim, agora experimentavam uma velada, mas evidente divisão para quem os observasse com mais diligência.

Sob orientação do proprietário das terras, resolveu-se pela tentativa de recuperação, o que foi acolhido com zelo e determinação por um dos jardineiros, mas com reservas e ceticismo pelo jardineiro ferido. Os seus dedos maculados ainda sentiam a dor causada pelos espinhos da árvore doente. Temia que, ao cuidar da árvore, suas mãos voltassem a ser machucadas pelos seus espinhos. Seu coração estava dividido. Por um lado se lembrava das alegrias que outrora a árvore proporcionava ao jardim, por outro, os seus ferimentos ainda latejavam de dor.

Quando a árvore começou a ser tratada pelos jardineiros, era necessária alguma poda, ser aguada todos os dias, ministrada de remédios e vitaminas especiais. A expectativa era boa, embora certamente longa e trabalhosa. Infelizmente, as lembranças das dores de suas mãos machucadas, que ainda estavam na mente do jardineiro ferido, o impediam de tratar a árvore doente com o zelo e carinho necessário. Abster-se se tornou uma das formas de não se sentir culpado, deixando que o outro jardineiro se encarregasse de toda tarefa. Afinal, não tinha ele sido ferido e não era o outro que sempre defendera e cuidara a árvore doente? Afinal, não tinha ele o direito de se afastar da árvore que lhe causara tanta dor?

Eventualmente, no cuidado diário do jardim, o jardineiro ferido usava de sua podadeira para cortar alguns dos espinhos da árvore doente, não se dando conta que, junto com os espinhos, cortava os seus ramos vitais, diminuindo suas chances de recuperação.

Passaram os dias e as estações. Na primeira geada do inverno a árvore doente não mais resistiu e morreu. Seu tronco seco foi cortado e usado para alimentar as lareiras. Quando os pássaros procuraram sua proteção e frutos, tristemente nada encontraram. Conversando com o colega, junto ao espaço vazio, ouviu-se do jardineiro ferido, a última referência a arvore que já não existia: “não te disse que nosso esforço seria inútil?”.

Um comentário:

Virginia Isabel disse...

QUE MARAVILHA A INTERNET QUANDO USADA PARA O BEM. PREGAR O EVANGELHO A TODA CRIATURA....QUE NÓS NÃO SEJAMOS COMO O JARDINEIRO QUE NÃO TINHA FÉ....AFINAL O JUSTO VIVERÁ POR FÉ...E JESUS HONRA NOSSA FÉ.....
LOUVADO SEJA DEUS POR EU E MINHA FAMÍLIA FAZER PARTE DA FAMILIA DE DEUS.....
VIRGINIA.